segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Feto pode desenvolver a visão dentro do útero

Eis uma curiosidade descoberta por uma pesquisa recente: um feto pode aprender a ver antes de nascer.
Para o desenvolvimento da visão, é necessária luz. Há muito tempo, os cientistas sabem que o feto pode sentir cheiros e gostos, e pode ouvir. Um pesquisador italiano, da Universidade de Turim, se questionou se haveria, no útero, suficiente luz para eles verem também.
O resultado: nos dois últimos meses de gravidez, luz suficiente penetra na barriga de uma mulher para o feto desenvolver a visão. A conclusão veio a partir da medição de quantidade de luz que pode penetrar o útero de uma mulher típica.
O pesquisador constatou que, em uma mulher nua, pode se penetrar cerca de 0,1 a 1% da luz ambiente. Em condição de sol brilhante, um feto pode receber luz equivalente à encontrada em uma casa tipicamente acesa.

Antidepressivo na gravidez: tomar ou não tomar?

A ciência ainda não foi capaz de resolver definitivamente a seguinte questão: se uma mulher grávida passa a sofrer de depressão, deve tomar algum medicamento que não esteja 100% livre do risco de causar algum dano ao feto, ou “aguentar” a depressão até ter o bebê? A resposta atual é “depende do caso”.
Ainda não há muitos estudos avançados na relação entre antidepressivos e o período de gravidez. De forma geral, não existe nenhum medicamento que seja garantido pelos médicos como absolutamente livre de alterar algo na gravidez. Apesar disso, alguns remédios foram identificados como “quase livres”, não causam nenhum dano aparente ao feto. Além disso, a depressão por si só pode causar problemas ao bebê que vai nascer.
Por isso, a recomendação da medicina é que se avalie cada caso: se a depressão da gestante não for significativa (geralmente é medida pela ansiedade e mudanças bruscas de humor na mulher), pode-se tentar evitar os remédios, não sem antes consultar um doutor. Se, por outro lado, a depressão se apresentar muito forte, deve-se sim procurar um médico e identificar o que pode ser tomado de forma segura.
Um congresso médico nos Estados Unidos, em 2006, apurou que de 14% a 23% das grávidas experimentam depressão durante a gestação. Cerca de 8% das gestantes tomam medicamentos antidepressivos. A maioria dos estudos na área foi feita por uma associação americana não-lucrativa que orienta grávidas sobre manutenção da saúde nesse período.
Entre os riscos de se tomar alguns medicamentos, estavam causar algum defeito cardíaco no bebê (associado ao remédio Paxil), ou problemas pulmonares (relacionados ao Paxil, Zoloft ou Prozac), mas há dois atenuantes. O primeiro é que apenas metade dos estudos realizados indicou tais chances de problemas. Além disso, nenhum dos riscos identificados foi superior a 1%, ou seja, uma taxa quase desprezível.
Outro ingrediente que se adiciona a esse dilema é o seguinte: interromper a ingestão de um remédio durante a gravidez também pode ser um problema. A mesma pesquisa constatou que o terceiro trimestre da gravidez é crítico para qualquer perturbação: se a mulher já tomava um medicamento e o deixa de fazer nos últimos três meses, pode ter uma depressão pós-parto muito mais acentuada. E como a depressão por si só também acarreta problemas, nem sempre é bom simplesmente evitar qualquer medicamento.
Uma boa saída, para quem optar por não tomar remédios, são terapias. Relaxamentos, medicamentos naturais e cochilos são boas opções para combater depressão leve ou moderada, sem correr qualquer risco de prejudicar seu bebê.

Mães de gêmeos são mais fortes e vivem mais

Ao invés de ser um acidente de reprodução que acaba com a energia das mulheres, ter gêmeos pode na verdade ser uma adaptação evolutiva na qual mães saudáveis têm a oportunidade de passar seus genes duplamente de uma só vez.
Segundo uma nova pesquisa, ter dois bebês ao mesmo tempo está associado a uma vida mais longa. Mas não, cuidar de gêmeos não aumenta a expectativa de vida das mulheres diretamente; em vez disso, as mães de gêmeos já são fisicamente mais fortes.
Ter gêmeos pode ser um identificador dessas mulheres notáveis, pessoas fisicamente excepcionais. Porém, a pesquisa se focou em populações de mulheres de 1800 de Utah, EUA, que tiveram que seus filhos naturalmente, e por isso os resultados podem não se aplicar a sociedade atual da fertilização in vitro.
Gêmeos idênticos, criados quando um embrião se divide em dois durante o desenvolvimento no útero, nascem mais ou menos ao acaso. Já gêmeos fraternos, que se desenvolvem a partir de óvulos separados liberados e fertilizados ao mesmo tempo, mostram alguns padrões tanto de hereditariedade (ocorre na família) quanto influência ambiental.
Sem contar gêmeos concebidos de fertilização in vitro, os gêmeos respondem a 6 em cada 1.000 nascimentos na Ásia, 10 a 20 de cada 1.000 nascimentos nos EUA e na Europa, e 40 de cada 1.000 nascimentos na África.
Os cientistas queriam ter um olhar nesses nascimentos antes da tecnologia reprodutiva e controle de natalidade existirem. Para isso, eles usaram um banco de dados da população de Utah, um registro genealógico enorme que remonta ao início dos anos 1800.
A partir desse banco de dados, eles puxaram os registros familiares das mulheres que nasceram entre 1807 e 1899, e que viveram pelo menos 50 anos, para observar a totalidade de seus anos reprodutivos. Também excluíram viúvas e esposas de famílias polígamas, para garantir que estivessem comparando mulheres semelhantes.
O resultado incluiu 58.786 mulheres, 4.603 das quais tinham pelo menos um par de gêmeos. Os pesquisadores compararam as mães de gêmeos com as outras mães quanto a diferenças na expectativa de vida, número de filhos, tempo entre gestações e duração da fertilidade, todas medidas de saúde.
As mães de gêmeos bateram as outras mamães em todas as medidas. Elas viveram mais tempo, tiveram uma vida reprodutiva mais longa, precisaram de menos tempo para se recuperar entre as gestações, e tiveram mais filhos.
As mães de gêmeos nascidos antes de 1870 tinham em média 1,9 mais filhos do que outras mães da sua faixa etária, e as mães no grupo pós-1870 tinham 2,3 filhos a mais do que suas semelhantes.
Como gêmeos têm maior probabilidade de morrer do que filhos únicos, os pesquisadores ajustaram os dados à mortalidade infantil, assumindo que uma mãe de gêmeos pode ter bebês mais rapidamente depois que uma criança morre. Após esse ajuste, as mães de gêmeos ainda estavam na frente, tendo 1,24 e 1,56 mais bebês do que as outras mães.
Os resultados não diferiram com o passar do tempo, embora as mulheres pré-1870 tivessem pior atendimento médico do que as mulheres nascidas depois.
No entanto, é difícil comparar os dados de 1800 com os de hoje. Segundo os pesquisadores, a fertilização in vitro aumentou o número de gêmeos nascidos. Outros fatores mudaram também: globalmente, as mulheres engravidam menos agora do que em 1800, então suas chances gerais de ter uma gravidez de gêmeos espontânea são mais baixas.
Um estudo de 2001 com mulheres da região rural de Gâmbia, no entanto, mostrou que as mães de gêmeos tinham melhor saúde reprodutiva do que as mães de filhos únicos.
O próximo passo da pesquisa é estudar os gêmeos de Utah, para ver como eles se saíram, dado o fato de que são mais propensos a nascerem prematuros e com problemas de saúde.
Os cientistas também querem estudar as “supermães”; ao identificá-las, poderão analisar outros aspectos sobre elas que as tornam mais saudáveis, as fazem viverem mais e terem bebês em um ritmo mais rápido do que o resto da população