domingo, 4 de setembro de 2011

Hipertensao na gravidez . . .


O que significa ter hipertensão?Pode dizer-se que a Tensão Arterial é o resultado da força exercida pelo sangue contra a parede das artérias, sendo condicionada por vários factores. É representada por um valor máximo que, de uma forma simplificada, podemos dizer que corresponde à contracção do coração em cada batimento (TA sistólica) e um valor mínimo (TA diastólica), que corresponde ao momento em que o coração relaxa entre dois batimentos. As artérias são vasos dotados de uma camada muscular, reactiva a várias substâncias, o que explica a variabilidade da tensão arterial, sendo diferente, por exemplo, se estamos em repouso ou sob stress. Estas pequenas variações são normais. Valores persistentemente elevados (superiores a 140/90mmHg) significam hipertensão.

Como se diagnostica a hipertensão durante a gravidez?Durante a gravidez, os valores da TA habituais descem, particularmente a partir das 12 semanas, para voltar a subir durante o último trimestre. Esta descida é fisiológica, sendo devida à inibição da contracção da tal camada muscular das artérias, que assim relaxam. Esta descida ocorre também se a grávida tem hipertensão prévia à gravidez; por esse motivo o médico pode mesmo suspender a medicação que fazia para controlar a TA.

O diagnóstico de hipertensão numa grávida previamente saudável faz-se por comparação com os valores anteriormente observados, isto é, não é necessário que atinja os 140/90 mmHg; considera-se que uma subida de 15 mmHg nos valores a TA diastólica (mínima) ou de 30 mmHg na TA sistólica (máxima) indica hipertensão. Este é também um dos motivos para que inicie precocemente a sua vigilância pré-natal: os valores da tensão arterial nesta fase constituem uma referência importante, inclusivamente para determinar se a sua hipertensão é anterior à gravidez ou determinada por esta.

Como se avalia a tensão arterial?A grávida deve manter-se previamente em repouso durante 10 a 20 minutos; a braçadeira do aparelho deve ter dimensões ajustadas; o braço deve manter-se em repouso em posição horizontal e ao mesmo nível da área cardíaca; a medição pode fazer-se com a grávida sentada ou deitada sobre o lado esquerdo (não deitada de costas porque os valores da TA descem). O diagnóstico nunca se baseia numa só avaliação.

Então pode haver diferentes formas de hipertensão na gravidez?A resposta é sim. De uma forma geral podemos ter:

- Hipertensão induzida pela gravidez, que habitualmente surge na segunda metade da gestação e desaparece algum tempo após o parto. Quando tem alguma gravidade leva ao compromisso de todo o organismo, podendo aparecer manifestações resultantes do atingimento de diferentes orgãos. A pre-eclâmpsia é a complicação mais frequente, reflectindo o compromisso renal, com aparecimento de proteínas na urina.

- Hipertensão crónica, prévia à gravidez e que irá persistir após a mesma.

O que leva ao aparecimento da hipertensão durante a gravidez (hipertensão induzida ou gestatória)?Até hoje esta pergunta mantém-se sem resposta. No entanto reconhece-se hoje o papel da placenta na génese da hipertensão e pré-eclâmpsia.

O aparecimento da hipertensão pode colocar em risco a gravidez?De um modo genérico quanto mais cedo a hipertensão surge, mais grave tenderá a ser o quadro clínico. Assim, quando a hipertensão surge nas últimas semanas de gestação, sem proteinúria (perda de proteínas na urina), a gravidez pode prosseguir com baixo risco materno ou fetal.

A presença de pré-eclâmpsia coloca a grávida em maior situação de risco, já que neste caso a hipertensão é apenas uma manifestação clínica de um processo que envolve diferentes orgãos (rim, sistema nervoso central, fígado, sangue), mesmo que inicialmente isso não seja perceptivel. Um dos riscos é o aparecimento de convulsões, quadro designado por eclâmpsia. O tratamento adequado da pré-eclâmpsia reduz significativamente esta complicação. Também possíveis são a insuficiência renal, habitualmente transitória, ou alterações da coagulação

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